Cold Creek Hospital era uma infinidade
de corredores e portas. Cada uma exibia um número por fora e por dentro
escondia uma estória, vivida e sofrida por aqueles que habitavam os quartos por
elas guardados.
Meu caminhar produzia sons simétricos
contra o chão estéril, como o bater de um pesado relógio de pêndulo, acompanhado
apenas pela luz insegura da minha lanterna, atravessando o vitral de cada
porta. Nada além do meu próprio ruído.
Eu contava os passos.
Cento e vinte. Dois corredores. Vinte e
quatro portas. Todos dormindo. Nenhuma irregularidade. Minha marcha continuou em
direção à ala três. Quinze passos. Cinco quartos tranquilos.
Tudo em ordem. Esquerda. Um. Dois...
Meu terceiro passo hesitou. Um som lamurioso
pareceu denunciar que, no quarto número seis, talvez alguém estivesse chorando
no escuro. Aguardei por mais alguns segundos na expectativa de ouvir novamente
o lamento. Um leve soluçar engasgado confirmou minha suspeita.
Esquadrinhei minha ficha à procura do
nome do paciente. Com movimentos leves empurrei a porta e entrei no pequeno
cômodo.
