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Olhos Abertos

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015



Cold Creek Hospital era uma infinidade de corredores e portas. Cada uma exibia um número por fora e por dentro escondia uma estória, vivida e sofrida por aqueles que habitavam os quartos por elas guardados.

Meu caminhar produzia sons simétricos contra o chão estéril, como o bater de um pesado relógio de pêndulo, acompanhado apenas pela luz insegura da minha lanterna, atravessando o vitral de cada porta. Nada além do meu próprio ruído.

 Eu contava os passos.

Cento e vinte. Dois corredores. Vinte e quatro portas. Todos dormindo. Nenhuma irregularidade. Minha marcha continuou em direção à ala três. Quinze passos. Cinco quartos tranquilos.

Tudo em ordem. Esquerda. Um. Dois...

 Meu terceiro passo hesitou. Um som lamurioso pareceu denunciar que, no quarto número seis, talvez alguém estivesse chorando no escuro. Aguardei por mais alguns segundos na expectativa de ouvir novamente o lamento. Um leve soluçar engasgado confirmou minha suspeita.

Esquadrinhei minha ficha à procura do nome do paciente. Com movimentos leves empurrei a porta e entrei no pequeno cômodo.